O mundo vai acabar?

Mais uma profecia apocalíptica do fim do mundo, com cálculos baseados em qualquer coisa que eu nem me dei ao trabalho de me informar, acaba de ser anunciada. Aêê, agora vai! Podemos comemorar dessa vez? Infelizmente, ainda não vai ser dessa vez que o planeta se livra de nós.

Um monte de compartilhamento está rolando no facebook e twitter. Para quem não viu e nem ficou sabendo, vou colocar o link do Buzzfeed, que a zuera é o que importa: https://www.buzzfeed.com/davirocha/uma-teoria-avisa-que-o-mundo-vai-acabar-dia-29-de-julho?utm_term=.rs8YMpgED#.flAyDlL4w

Não, pera, é inversão dos polos, não é meteoro, mals aê, a intensão é o que importa.

Não fiz a menor questão de ver o vídeo, minha curiosidade não foi atingida, um fato raro, sou uma pessoa em geral muito curiosa. Mas pelo que li em chamadas e etc, fala sobre a inversão dos polos magnéticos, um fator muito comum em teorias apocalípticas. A muitos anos atrás (2000, 2012, nem sei mais), por motivos de alguma profecia que obviamente não funcionou, a possibilidade de inversão dos polos me aguçou a curiosidade e na época pesquisei a respeito e sobre suas consequências. Esse texto vai ser baseado no que eu li na época e obviamente não vai ter nenhuma referência direta a alguma pesquisa cientifica, por que não lembro mais os nomes e revistas e também por motivo de preguiça. Sim, essas últimas semanas eu estou com muita preguiça de estudar, me deixa! Mas vou escrever essa publicação mesmo assim, para não perder o timing.

Então, a tal nova profecia diz que no dia 29 de Julho de 2016 o planeta Terra sofrerá uma inversão dos polos magnéticos e isso destruirá o planeta. Será que vai destruir mesmo? Posso contar um spoiler? Isso já aconteceu antes. E pior ainda, várias vezes nesse planetinha. E ainda estamos aqui.

Vamos lá, voltando a escola, aprendemos que o núcleo da Terra é uma esfera solida de metais, tendo em sua composição principalmente o ferro. Acima dessa esfera temos um manto feito de metais líquidos, em constante movimento. E naquela aula de física que você pegou no sono, quantidades imensas de metais criam um dínamo, gerando cargas elétricas e um campo magnético (sim, eu também dormi nessa aula, mas para minha sorte [ou azar] recentemente eu fiz uma prova para professor de biologia para uma instituição que achava que a biólogo tinha que manjar muito de física quântica [não pergunte, eu não sei porque] e então eu tive que estudar física).

O núcleo e manto da Terra, algo mais ou menos assim.

Os campos elétricos e magnéticos gerados pelo núcleo e manto não são estáveis, e como você já deve ter lido em algum lugar, uma prova disso é que o polo magnético não bate com polo geográfico. E mais, desde que se começou a medir o local dos polos magnéticos, percebeu-se que eles estão se movendo. Assim, é claro que em algum momento vai ser atingido um ponto em que os polos se inverterão.

O polo magnético e sua diferença para o polo geográfico.

E como sabemos que os polos já se inverteram algumas vezes? Olhando as camadas geológicas da Terra, podemos achar evidencias disso no alinhamento magnético de rochas vulcânicas, na disposição de isótopos e em material depositado. Nessas evidencias, percebe-se que ocorrem inversões, mas o tempo de duração de cada é altamente variável. Ainda assim, é um fenômeno razoavelmente frequente. O processo de inversão em si também é altamente variável, podendo durar de mil a dez mil anos. Já deu para perceber que não é algo que vai acontecer de um dia para o outro.

Um exemplo da polaridade geomagnética nos períodos Cenozoico e Mesozoico. Dá para perceber que a variação é muito alta. Preto é idêntico ao nosso, branco é invertido.

Durante a reversão, o campo magnético fica uma bagunça, e perde boa parte da sua capacidade de proteger a Terra dos raios cósmicos e dos ventos solares. Mas perde o suficiente para causar a morte dos indivíduos que habitam o planeta? Pelos dados coletados nas camadas geológicas, não. Não existe nenhuma correlação entre períodos de reversão dos polos e períodos de extinção em massa. Algo mais, como por exemplo a atmosfera, consegue nos proteger o suficiente, mesmo na falta do campo magnético em seu esplendor.

Então, se isso realmente acontecer no dia 29, o que podemos esperar? O mal funcionamento dos sistemas de navegação baseados em magnetismo. Isso seria altamente provável, pois se o processo for lento como sempre foi, vamos ficar sem pontos de referência norte/sul por muuuuuuitos anos e se o processo for instantâneo, como as teorias apocalípticas geralmente predizem, teremos que mudar a referência do norte -> sul e vice-versa. Quem manja de campos magnéticos pode pensar em mais alguma coisa que vai parar de funcionar. E de resto a vida deve seguir da mesma maneira, pelo menos biologicamente. Afinal, se nossos antepassados que passaram pela ultima inversão sobreviveram a isso, não tem porque nós também não sobrevivermos.

Eu escrevo de supetão sem revisar, senão acabo desistindo de escrever (falei preguiça lá no inicio?). Se você achar um erro de português, me avisa, por favor! Todas as imagens usadas foram buscadas no google imagens, logo não sei a autoria.

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