Como tudo começa

Eu sempre gostei de divulgação cientifica. Mas por total falta de crença em mim mesma, nunca levei isso adiante. Achava que não levava jeito para escrita e comunicação. Quer disser, nunca levei adiante formalmente, informalmente acabei me tornado um tipo de google tradutor portátil dos amigos. “A última noticia do mundo da ciência que eu não entendi patavina? Vou perguntar para a Dri, ela deve conseguir me explicar.” E assim foi.

Falar sobre o que?

Com o tempo, percebi que o foco principal de procura era, em geral, a desmistificação do mais recente óleo de cobra do mercado. Cansei de escutar o tradicional: “O primo do amigo do meu cunhado tá tomando uma chá de -qualquer mato- que dizem -curar/emagrecer/rejuvenecer -, posso tomar também?” E a pessoas ouvia a igualmente tradicional resposta: “Vou pesquisar, depois te conto.”

E contava a mesma história para várias pessoas diferentes, que me faziam a mesma pergunta (afinal é o óleo de cobra da moda). Eu sempre gostei dessa área, acho muito interessante a ação de produtos naturais, tenho a maior esperança na área e muitas vezes já tinha a resposta antes mesmo de alguém me perguntar pela primeira vez. Mas dai a ser a panaceia universal, de curar tudo, é um pouquinho demais minha gente. Vira óleo de cobra (que, pasmem, funciona, outro dia eu conto). Aí, eu pensei com meus botões: Porque não escrever um blog, assim unifico tudo e posso satisfazer vários amigos ao mesmo tempo, e até mesmo matar curiosidades que eles nem sabiam que tinham. E quem sabe expandir para outras pessoas que nem conheço (e já considero pacas).

Como falar?

A idéia aqui não é ser super cientificamente correto. A idéia é a mesma que sempre pratiquei com meus amigos: simplificar ao máximo, contar o que se sabe até o presente momento e os pró e contras. Eu nunca proibi meus amigos de usar nada que tivessem vontade (leia com uma voz muito séria: as evidencias são inconclusivas, ou seja, o produto em questão é irrelevante! — ai de mim ser tão pedante, tô fora), eu apenas apresentava o que é conhecido e ai cada um podia ter noção de onde estava apostando seu tempo, dinheiro e saúde. E eu sempre fiz essas pesquisas para eles porque acredito ser bem melhor usar algo com consciência de quais são os possíveis efeitos, do que usar porque o cara da academia falou para usar, ou porque a blogueira X tá usando.

Mas porque eles não faziam as pesquisas eles mesmos? Joga no Google é resposta para tudo hoje em dia! Acredito que pelo mesmo motivo da frase do início. “Mermão, eu li e não entendi foi nada.” Ou pior, “Só achei besteira.” Eu mesma se tivesse procurando no google algo sobre sociologia ou arquitetura não ia entender é nada. Entendo que as vezes é necessário alguém que entenda a nomenclatura, procure nos lugares confiáveis e faça a tradução para uma linguagem simples. E isso é super difícil (vide reportagens de jornal ou TV, o que eu escuto de bosta não é pouco). Reza a lenda que você manja de divulgação científica quando você explica sua tese de doutorado para a sua vó e ela compreende perfeitamente (e nisso falhei miseravelmente, a tese foi sobre tecido adiposo e a única coisa que ela fixou da história toda foi que eu matei uns ratos; inclusive é assim que ela me apresenta para as amigas até hoje: Olha, essa é minha neta Adriana, ela é cientista, ela mata uns ratos — e eu não faço isso a anos!).

Eu não tenho a menor pretensão de transformar isso aqui em algo grande e sério. Eu quero escrever como se tivesse fazendo as tradicionais explicações aos meus amigos. Ou seja, espere por posts metidos a engraçadinho (tia do pavê!), com referências sem noção a cultura pop e comparações insanas, porem de fácil memorização. Se ao final de tudo eu conseguir me fazer entender, vai ter valido a pena.

A aventura da divulgação cientifica. Sair por aí, animada, correndo com uns artigos.

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